segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Myself

“Eu não estava dormindo, e nem tinha fumado naquele dia.” 

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    E eu acordei mais leve, nada era importante e não havia motivo pra levantar, mas eu me levantei, como em um daqueles movimentos involuntários que você faz quando um estranho acena para você, e você responde. Bastou imaginar essa cena e eu estava de pé, em meio a uma multidão de pessoas que passavam acenavam e sumiam. Mas tudo continuava muito leve, claro, limpo, desimportante demais e sem motivos para preocupação. Não me lembrava de ter ido me deitar, muito menos de ter adormecido naquele lugar limpo, claro, leve e surreal. Mas nada disso me preocupava, tudo devia estar suspenso e nada devia pesar, não havia com o que se preocupar, era leve. E naquele local novo, estranho e flutuante, em meio aos estranhos acenando, apareciam rostos conhecidos de gente bonita e famosa que eu reconhecia, mas que com certeza não fazia a menor ideia da minha identidade. Um pensamento engraçado me ocorreu, e me pus a rir em outro ato involuntário. Toda aquela gente achava que era estranha, mas não era! Os rostos que eu conhecia, que eu via na TV, as vozes que eu ouvia no rádio, as faces que eu tinha conhecido no youtube, todas elas me encaravam, acenavam como estranhos (pois aquele era um peculiar aceno de estranhos) e sumiam , por todas as partes, em meio aos outros estranhos. Eu via, e ria! Eles achavam que eram estranhos mas eu os conhecia, não é hilário? E pensando bem, até mesmo aqueles que eu realmente não conhecia, havia passado a conhecer, pelo menos a face. Daí comecei a refletir que nem mesmo os realmente estranhos continuavam completos desconhecidos a partir do momento em que eu os localizava no meu campo de visão. E daí para achar que eu conhecia todo mundo foi um pulo. Quando pensei isso todos começaram a aparecer, acenar, sorrir, e sumir. Mas a imagem de cada um deles ficava na minha retina, como quando se olha para o sol e é preciso piscar freneticamente para retirar o pontinho luminoso dos olhos. Agora eles acenavam como conhecidos, sabe? Parece bobo mas existe uma diferença imensa entre o aceno de um estranho e de um conhecido... Nada que possa ser taxonomicamente analisado e explicado, mas você sabe diferir. E eu sabia. Aquele lugar leve, calmo puro e suspenso começou a ficar embaçado da imagem de cada quase-estranho que surgia e acenava, agora eu tinha certeza que conhecia todo mundo, e achei que talvez fosse assim que se sentisse Deus. Então, a partir daí eu senti meu corpo se elevar e via todos eles de cima, e continuavam acenando... Engraçado, eu sempre quis saber se existia um Deus, nunca acreditei nele, e agora eu me via ali encima, olhando todos os conhecidos do mundo acenarem e sumirem. E então o grande dilema metafísico havia sido resolvido. Não havia mais a questão na minha mente de quem era Deus ou porque ele deixava tanta gente sofrer... Eu era Deus!
    Eu era Deus... não era?
    E de repente o lugar que me parecia leve pesou, meu corpo caiu, o que ere limpo condensou, o claro escureceu e milhões de estranhos começaram a salpicar naquele novo lugar pesado e incomodo, olhando, acenando, gritando por mim. Nenhum deles parecia ouvir minha resposta, e por mais que eu os fitasse eu não conseguia ter aquela sensação de que já os conhecia de algum lugar, nem famosos nem anônimos, só estranhos. Mesmo depois de entrar no meu campo de visão eu não podia achar que os conhecia, nem ao menos a sua face. E foi nesse súbito lance de pensamento que percebi, que todos aqueles milhões de estranhos gritando e clamando por mim tinham uma estranha face, a minha face, e nem por isso eu os achava familiares. Ali estava alguém, que supus eu, jamais poderia conhecer. E quando pensei isso, dessa vez, nada mudou.

Álbum de inspirado no texto: Flesym

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mais um pirata legal

Eu queria ser normal, me incluir nessa horda de pessoas naturais que passam desapercebidas em meio a multidão. Eu queria ser aceito pela sociedade como um ser humano que merece respeito, tão digno quanto e com os mesmos direitos que todos os outros. Eu luto pela igualdade das diferenças… Mas tudo isso fica impossível quando você vai se barbear e constata que seu cavanhaque está ficando ruivo!

O barba azul é um pirata até legal, não tem o mesmo charme, respeito e imponência que o barba negra, mas a sua mudança de tom na barba é completamente aceitável.

Eu não sou preconceituoso, barba ruiva é um negócio até legal… pra ruivos. Visconde de Sabugosa, Yosemite Sam, Chuck Norris… Nem tenho nada contra ruivos também. Seria maldade, afinal os pobres coitados estão em extinção. (leia o post Ruivos, pobres ruivos da Silvexy)

visconde sabugosaYosemite SaMchuck norris

Acontece que eu não sou ruivo, sou quase negro! Cabelo intensamente anelado (eufemismo para cabelo de preto, vulgo telhado impermeável) e preto, bigode preto, costeletas pretas, demais pelos que não vem ao caso também pretos… (outro link para outro post da parte verde desse blog bicolor: Depilação) E o maldito cavanhaque ficando RUIVO! Claro que ao descobrir isso tomei a atitude mais sensata. Não, não procurei um dermatologista, isso é coisa de gente psicopata. Eu recorri ao google, e eu sabia que infalivelmente ele me levaria o yahoo respostas! E que invariavelmente não responde porra nenhuma…

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Bom, pelos menos descobri que eu e Robson não somos os únicos coitados a sofrer do distúrbio patológico da variação de nuance de barbas por disfunção hormonal. Nome legal né? Acabei de inventar, já que a ciência não tem um nome para essa estranhice… O Andre Borgiatto também tem o mesmo problema, e mais umas voltinhas na net me fez descobrir outras centenas de caras com barbichas coloridas.

O jeito é acolher essa ideia, como mais uma diferença agregada às minhas muitas… E quando eu já estava me empolgando com o fato de ter barbas multicromáticas e imaginando que seria legal criar um alter ego de nome Barba Ruiva, para cruzar os sete mares e inovar na coloração de pelos faciais nas histórias de piratas o google me brinda com a feliz novidade de que isso já existe.

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A mãe Wikipédia diz:

 

”Barba Ruiva é uma série de banda desenhada de pirataria, sobre o personagem do mesmo nome. A série foi criada por Jean-Michel Charlier & Victor Hubinon em 1959.”

 

 

Bom, parece que alguém tirou inspiração de pelos ruivos na cara antes de mim… Mas ainda hei de encontrar alguma utilidade para essa coisa que explico como mutação genética.

Antes de se perguntar “Porque diabos esse panaca posta uma coisa dessas?” veja em que categorias esse post está linkado.

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pirilampos

"Este é um post de auto-afirmação, não precisa entender."

Alguém que sempre morou em cidade grande, que sempre viveu em capital, nunca saberá dizer ao certo, ou tão pouco compreender o que há de mágico em um pasto cheio de pirilampos. O Pirilampo, para quem não sabe, é um inseto com um órgão bioluminescente na parte inferior dos segmentos abdominais. É, na bunda, em raras exceções na cabeça, mas isso não vem ao caso.
   O Pirilampo emite luz em uma freqüência baixa, em média uma vez a cada dois segundos, o que faz do ato de observá-lo voar durante a noite uma experiência sem precedentes. Quando você consegue visualizá-lo tem certeza da sua imediata localização, mas onde aquela bundinha irá piscar novamente dentro de dois segundos é algo incerto. Daí você fica que nem pateta, olhando para um perímetro imaginário de raio esférico suposto entre a relação “velocidade do piscar em razão da velocidade do vôo”. (Para os leigos em matemática um espaço no ar onde você supõe que o bichinho pode voltar a aparecer.)
   Onde quero ir com isso tudo? Bem, quero fazer uma analogia, uma metáfora, uma pegadinha do malandro, salsifufu pequeno gafanhoto. (Esse outro inseto não faz parte da alusão).
   Comparo aqui os pirilampos com as pessoas que passam por nós. Não estou fazendo nenhuma pegadinha infame sobre bundas que brilham aos nossos olhares. Apesar de alguma realmente brilharem... Enfim! Pessoas são Pirilampos, e hoje eu me dei conta disso. Lembrei-me de algo que um dos meus tios, um dos menos queridos, aquele tio que foi a ovelha negra da sua geração (deu pra entender que a família inteira o odeia né?) me disse quando eu ainda era um pirralho melequento. Estava eu a brincar na roça, durante a noite, vislumbrado com a imensa quantidade de pirilampos que circundavam o curral e enfeitavam o céu muito escuro de uma isolada chácara do interior quando tive a brilhante idéia (saca o trocadilho, brilhante!) de colocar os pirilampos em um vidro vazio de maionese para fazer uma lanterna. Eu sou um gênio, confessem! Executei meu árduo plano: Com investidas de sucesso em hábeis golpes que cortavam o ar com um vidrinho transparente eu peguei muitos deles, e não fiquei satisfeito até ter uma quantidade suficiente de pirilampos dentro do meu vidro para que eu pudesse chamá-lo de lanterna verde! Alguns voaram do vidro antes que eu pudesse fechá-lo, minhas mãozinhas não eram grandes o suficiente para cobrir toda a superfície vazada da tampa. Talvez estes aí já tivessem se dado conta do seu terrível fim e trataram logo de se ausentar daquela reunião homicida bioluminescente. Os pirilampos são assim. Gostam de brilhar, não podem evitar na verdade, mas como qualquer ser vivo tem o instinto de autopreservação aguçado. Alguns pressentem o perigo mais rápido e saem logo de perto de pessoas perigosas como eu. Bem, nem todos tiveram essa sorte. Não que eu fosse um assassino da natureza, eu só queria todo aquele brilho incerto, inconstante e ludibriante para mim, perto de mim. Então cometi o ato cruel, cerrei o vidro de maionese, e não me dei ao trabalho de fazer um furinho sequer na tampa. Cometi esse ato várias vezes depois daquele dia (existe uma metáfora aqui), mas se não aprendi a deixá-los voar em paz pelo menos estou praticando o lance de furar a tampa.
   Aí começou a minha diversão: Entrar com a minha lanterna verde lusca fusca na penumbra da casa de ferramentas! Entrar no escuro da grota! Levar os pirilampos aprisionados para iluminar a bica em uma eventual excursão noturna. Tudo muito divertido! Porque o brilho dos pirilampos tira seu medo, e te ajuda a ir a lugares aonde você não iria sozinho no escuro.
   Enquanto eu gozava do prazer dos pirilampos, meu tio ovelha negra observava, e ria. Acontece que aos poucos a lanterna começou a ficar mais fraca, os pirilampos começaram a ficar tontos e cair no fundo do vidrinho, e em coisa de segundos nenhum deles piscava mais. Eu batia no vidro e sacudia, e eles ficavam imóveis, quietos... Eu estava ensaiando um choro, remoído pela culpa e pelo remorso de ter matado a formiguinha, digo, o pirilampozinho (Que dó! Que dó! Que dó!) quando meu tio riu e me pediu que não ligasse para aquilo, que eles não estavam mortos de verdade. Só que tinham se cansado da minha cara feia pregando o nariz no vidro e decidiram que não iriam mais ficar piscando para mim.
   Sabe, pensando bem eu preferia que estivessem mortos. Mas segui o conselho do meu tio, joguei os insetos cadavéricos ali no chão, e antes de ir para dentro de casa dormir fiquei observando um pouco mais os outros pirilampos que ainda estavam piscando, perto do curral e longe no pasto até perder de vista. Quando acordei no outro dia fui correndo para a entrada do curral procurar algum vestígio de vaga-lume morto no chão. Nada havia ali, os passarinhos, que sem dúvida acordaram bem mais cedo do que eu, já tinham tratado de fazer seu desjejum com aqueles suculentos pirilampos em óbito. Mas naquela época eu não pensei que os vaga-lumes tinham morrido sufocados e virado comida de bicudo. Só fui pensar nisso nesses dias, quando me dei conta de que meu tio estava certo, e que os pirilampos não gostam de ficar envoltos na sua cúpula mágica de luminosidade. Eles sabem muito bem que o brilho deles te faz bem, mas podem voar para muito longe ao detectar a ameaça do confinamento do seu ego ou simplesmente morrerem sufocados com o seu egoísmo.
   Fica a dica, ame seus pirilampos, admire seu brilho, fique fascinado e ludibriado com a incerteza do seu próximo ponto luminoso, mas deixe-os livres. Eles não querem, e nem devem brilhar só para você. E convenhamos, se você fosse um pirilampo também iria querer balançar esse rabinho luminoso em um número bem maior de vidros. Não espere 12 anos como eu, não perca amigos, como eu. Acorde agora e vá abrir a tampa do seu vidro de maionese. Devem ter pelo menos uns três vaga-lumes lá dentro cansados da sua cara feia pregada no vidro e implorando por um pouco de ar.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Inspiração literária.

“Coisa rara, quase nunca escrevo em versos”


Basta só um olhar
Amigos, que bom que falam de livros
Família, que sempre fala demais
Colegas, com quem as vezes é bom se calar
Amores, que sempre falam das dores
E alguns raros, com quem não é preciso falar
Com estes o título completa a rima

nada de vergonha

PS: HOJE EU TÔ CAFONA.
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lol, você chegou ao fim da página! Esperamos que tenha gostado.
Se depois de perceber as qualidades(A) e também os defeitos (6) de cada um você ainda quiser conhecer virtualmente ou até pessoalmente os autores, acesse Sílvia e/ou Marcos; VALEU!

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